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"Tem passado inúmeros atestados de incompetência às empresas locais"
2010-05-19
 
Toda a classe política, bem como todos os vimaranenses, esperam que a Capital Europeia da Cultura 2012 (CEC) seja um ponto de viragem para o concelho e até para a região, um ponto de partida para a revitalização do tecido económico e social local. No entanto, os partidos da oposição, no caso o CDS-PP, lançou, na assembleia municipal extraordinária, duras críticas à actuação da Fundação Cidade de Guimarães (FCG) relativamente à forma como não se tem relacionado com as empresas vimaranenses.
   
     

A acusação partiu de Rui Barreira, deputado do CDS-PP. Na sua opinião, a CEC "seria uma oportunidade para as empresas vimaranenses e da região demonstrarem a sua capacidade", de igual modo seria desejável que "o investimento na CEC se localizasse na região", visto que tem sido apresentada "como uma oportunidade ao nível do tecido económico". Rui Barreira constata que o que se "verifica é que as empresas vimaranenses e da região são preteridas, não são auscultadas, ou pior, são simplesmente ignoradas, sem que sequer lhes seja dada uma oportunidade para demonstrar a sua valia, a sua capacidade". Por tudo isto, o democrata-cristão conclui que a Fundação Cidade de Guimarães, com o seu modo de actuar, tem vindo a "passar inúmeros atestados de incompetência às empresas locais". Rui Barreira fala de uma técnica "iô-iô", em que a "verba adicional" que Guimarães recebe para o investimento na CEC, "regressa de novo às origens, para que uns continuem a ser aquilo que já são e para que outros não ousem sequer pôr em causa a sua “afamada” qualidade, sem que aos nossos tenha sido dado sequer uma oportunidade."

O líder da bancada parlamentar do CDS-PP, Nuno Vieira de Brito, também ressalta o distanciamento da FCG em relação às empresas locais. "A regeneração económica, prioritária, deveria ter já mecanismos e instrumentos disponíveis, em que se promovam serviços e indústrias de apoio à CEC, numa descriminação positiva das empresas e serviços locais, e não pode ou deve esperar pelo primeiro dia de 2012." 

 

"As associações de cariz cultural definham e vão desaparecendo"

 

A ligação das associações culturais do concelho à CEC também não têm sido pacíficas. Joaquim Teixeira, do Bloco de Esquerda, tece duras críticas ao abandono a que estão sujeitas as associações vimaranenses. "A cultura tornou-se produto de luxo e, em Guimarães, o pouco que há, tal como a acção política municipal, é centralizada e pouco acessível à maioria da população. Hoje, a maioria das associações de cariz cultural definham e vão desaparecendo. Os apoios para a iniciativa cultural são, no mínimo, ridículos de comparados com os 3 milhões de euros atribuídos à cooperativa "Oficina" e que da sua aplicação se sabe quase nada".

Por seu turno, Francisca Almeida, do PSD, congratulou-se "com a recente assinatura, por parte da Fundação Cidade de Guimarães, de um protocolo com algumas das mais representativas associações culturais do concelho para que a estas caiba organizar e implementar um Programa Cultural/Artístico que fará parte integrante da programação de Guimarães 2012". A deputada vimaranense na Assembleia da República ataca o executivo camarário por não seguir o mesmo exemplo. "É uma iniciativa pioneira da fundação, infelizmente sem paralelo na história da política cultural do município. Esperamos por isso, que sirva a mesma de exemplo e paradigma, e possa vir a ser replicada no futuro pela Câmara Municipal de Guimarães", aconselha. Francisca Almeida traçou ainda como meta que Guimarães, através da CEC, "tem de ter a capacidade e a habilidade de se tornar numa cidade exportadora de cultura".

O presidente da câmara de Guimarães, António Magalhães, sustenta que "não há nenhum evento em Guimarães, que não resulte de uma parceria da câmara com outra associação" e cita os exemplos do Guimarães Jazz, das Festas Gualterianas, do Cinema em noites de Verão e dos Festivais de Gil Vicente. O autarca está convencido que foi esta "capacidade de fazer parcerias que permitiu demonstrar ao Governo português, que Guimarães estaria em condições de levar à prática um projecto com a especificidade e dimensão da CEC."

 


       
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